Como é que o treino de força ajuda a reduzir a tensão arterial?

Jota Personal Trainer & Rafael Peixoto 27/09/2026 4 min

1.O cardio já não está sozinho

Durante muito tempo, o exercício aeróbio foi o principal protagonista quando se falava em exercício e saúde cardiovascular.

Mas o treino de força também pode ter um papel importante, e a ciência tem procurado perceber porquê.

2.Análise

Uma revisão de Fecchio et al. (2021), publicada na Current Hypertension Reports, analisou os potenciais mecanismos responsáveis pelo efeito do treino de força dinâmico na redução da tensão arterial.

Ou seja, não se limitou a perguntar se o treino de força baixa a tensão arterial, mas sim como é que isso pode acontecer.

3.Os mecanismos por trás do efeito

A evidência discutida pelos autores sugere que a prática regular de treino de força pode contribuir para a redução da tensão arterial através de diferentes adaptações no organismo:

  • Função vascular: adaptações na forma como os vasos sanguíneos respondem e se dilatam
  • Sistema nervoso autónomo: alterações na regulação nervosa do coração e dos vasos
  • Mecanismos de controlo da pressão arterial: ajustes nos sistemas que o corpo usa para regular a tensão

4.Muito além da estética

O treino de força não serve apenas para aumentar a força ou a massa muscular.

Quando devidamente planeado e adaptado a cada pessoa, pode também fazer parte de uma estratégia de promoção da saúde cardiovascular.

Mais uma razão para olhar para o treino de força muito para além da estética.

5.O contexto individual deve ser considerado

Como sempre, cada caso é um caso. A intensidade, o volume, a seleção dos exercícios e a condição de cada pessoa devem ser considerados na prescrição do treino.

Se tens hipertensão diagnosticada ou tomas medicação, fala com o teu médico antes de iniciar um programa de treino de força.

Fecchio, R. Y., Brito, L. C., Peçanha, T., & Forjaz, C. L. M. (2021). Potential Mechanisms Behind the Blood Pressure–Lowering Effect of Dynamic Resistance Training. Current Hypertension Reports, 23, 35. DOI: 10.1007/s11906-021-01154-5